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Ativista do movimento LGBTQIA+ de Cajazeiras comemora conquista do nome social em registro de nascimento

Montinelly já havia conseguido, em 2018, emitir o título de eleitor e o CPF com seu nome social.

15/09/2021 às 10h41 Atualizada em 15/09/2021 às 10h53
Por: Redação Fonte: PORTAL SERTÃO
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Joyce Montinelly (Foto: Arquivo/Reprodução)
Joyce Montinelly (Foto: Arquivo/Reprodução)

A travesti e ativista do movimento LGBTQIA+ da cidade de Cajazeiras, Joyce Montinelly divulgou texto nessa terça-feira (14), comemorando a retificação e inclusão do seu nome social na Certidão de Nascimento.

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No texto ela contou um pouco da história, marcada pelo preconceito e pela luta de se firmar como pessoa e identidade própria.

"Quando tinha 09 anos de idade, comecei o processo de liberação dos meus desejos e sentimentos femininos, realmente queria ser mulher, gritei externei todos sentimentos, angustias, tristezas por não aceitar um corpo, cabelo, jeitos masculinos que nunca foram meus", relembrou a ativista.

Montinelly já havia conseguido, em 2018, emitir o título de eleitor e o CPF com seu nome social.

Veja o texto!

"Hoje de fato foi feito minha Retificação é inclusão do Nome e Gênero no Registro de Nascimento. Mato em mim aquela pessoa que habitava na minha vida, hoje considerada passado. Por diversas vezes tentei expulsar pra fora aquela quem realmente eu era uma verdadeira MULHER . Era meu desejo, minha vontade. Quando ainda criança, eu sonhei e olhava para as meninas que vivia ao meu redor no ambiente da sala de aula, observava a televisão junta com minhas amigas, colegas e via artistas, modelos femininas nas passarelas, atrizes nas novelas é teledramaturgia e em silêncio comigo mesma pensava é refletia sobre os meus desejos de quando crescer quero ser igualzinha a elas! Então, cresci em uma sociedade que me apontava diariamente os seus tantos preconceitos e discriminação. Pois acredita ser tão diferente das outras pessoas que me cercavam, em meu dia a dia.

Quando tinha 09 anos de idade, comecei o processo de liberação dos meus desejos e sentimentos femininos, realmente queria ser mulher, gritei externei todos sentimentos, angustias, tristezas por não aceitar um corpo, cabelo, jeitos masculinos que nunca foram meus.

Essa nova realidade afetou a minha Família que por carregar a normalidade do padrão imposto pela sociedade ficou em choque, minha mãe #Maria corria lágrimas do seu rosto, meus irmãos todxs não entendia, acreditavam ser uma safadeza ou Doença meu pai #Manoel (in memória), não aceitava ter um filho (gay). Por diversas fui agredida pelo meu pai, fisicamente,psicólogicamente e verbalmente.

Ele não aceitava ter um filho (a) fora do padrão social tradicional. Aos 11 anos de idade comecei a construção de minha identidade de gênero, iniciei de fato a ser alvo do doloroso preconceito é discriminação, em geral passei anda nas ruas com poucas roupas, por ser tão simples e humilde vindo da periferia ou comunidade (favela), com todos os estereótipos de vulnerabilidade social e exclusão por ser TRAVESTI é marginalizada pela sociedade que em sua maioria é hipócrita e demagoga. Iniciei minha formação no movimento LGBT de Cajazeiras PB, pra buscar ter acesso as políticas Públicas para pessoas LGBT é principalmente pra população de travestis e transexuais.

Agora me sinto realizada por essa luta, resistência e sobrevivência na sociedade brasileira que mais Mata TRAVESTI no mundo com tantas lutas, decepções, humilhações sofridas advindas de onde deveria ter meus direitos assegurados como o próprio ministério público, Fórum local, Cartório de 1° & 2° ofício de registro nascimento de pessoas naturais, onde pessoas chegaram, disseram ou acharam que não iria conseguir E que estava errada, enganada por reivindicar meus direitos assegurados em uma súmula proferida em sessão pelo STJ.

Tenho muito orgulho de mim mesma é de ser uma pessoa que realmente superou as barreiras é enfrentou verdadeiros leões para chegar no lugar que sempre sonhei e me sinto realizada".

Portal Sertão

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