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Variante indiana não deve superar a amazônica no Brasil

Virologista acredita que, devido a características moleculares, variante não vai se sobrepor a amazônica, que já predomina aqui

22/05/2021 às 02h10
Por: Redação Fonte: R7 - Carla Canteras, do R7
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Variante indiana chegou ao Brasil com os tripulantes de navio vindo da Malásia - (Foto: Reprodução RecordTV)
Variante indiana chegou ao Brasil com os tripulantes de navio vindo da Malásia - (Foto: Reprodução RecordTV)

A partir do momento em que o governo do Maranhão, na última quinta-feira (20), confirmou os primeiros casos de covid-19 a partir da variante indiana, o sinal de alerta ficou ainda mais forte entre os brasileiros. Surgiram preocupações como: será que vai acontecer como na Índia? Será que se espalhará como a cepa amazônica, que começou em Manaus e já é predominante no Brasil?

O virologista José Eduardo Levi, professor Instituto de Medicina Tropical da USP e chefe da Unidade de Biologia Molecular dos laboratórios Dasa, não acredita que essa nova variante consiga prevalecer sobre a P.1, como é chamada a cepa brasileira.

"Eu, particularmente, não tenho a percepção de que a cepa indiana vai sobrepor a P.1. Principalmente pelas características moleculares, acredito que ela não conseguiria se espalhar tanto, porque não creio que ela deslocaria a variante de Manaus", diz ele.

E, completa: "Não dá para dizer que a cepa daqui é mais forte. Porque o experimento para descobrir seria soltar as duas e ver qual se sobrepõe, o que não tem sentido. Mas, de acordo com as mutações apresentadas pela indiana, acho a nossa mais transmissível", alerta Levi.

Mesmo depois de a OMS (Organização Mundial da Saúde) definir a variante indiana como preocupante, ela não é apontada por especialistas como a principal causa de a Índia ter se tornado o epicentro da pandemia no mundo. Uma vez que a variação do Reino Unido ainda é predominante naquele país.

O virologista compara o surgimento da variação da Índia no Brasil ao aparecimento da britânica em dezembro de 2020, por aqui. "A variante inglesa é predominante no mundo Ocidental. Mas, de acordo com dados que temos no Laboratório Dasa, ela chegou ao Brasil em dezembro, e claramente foi sobrepujada pela amazônica. O nosso entendimento é que ela não cresceu como nos outros lugares do mundo, porque tínhamos o espaço ocupado pela P.1. Acredito que o fenômeno será igual com a variante indiana", conta Levi.

Como não deixar espalhar a variante indiana no Brasil?
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Os seis infectados pela variante indiana estavam no navio MV Shandong da Zhi. A embarcação saiu da Malásia, em 27 de março, passou pela Cidade do Cabo, na África do Sul, onde embarcaram 24 tripulantes.

O destino era o Porto da Madeira, em São Luís. Mas, um tripulante indiano, de 54 anos, sentiu os sintomas da covid-19 em 4 de maio e, no dia 15, foi confirmada a infecção, provocada pela variante indiana. Atualmente, a embarcação está parada a 35 km da capital do Maranhão e todos seguem a bordo cumprindo quarentena.

O pesquisador deixa claro que, independentemente da variante ser mais transmissível ou não do que a brasileira, a preocupação com o contágio deve existir e alguns cuidados devem ser seguidos.

"Ninguém que estiver no navio pode descer sem fazer o exame de PCR. Todos que tiveram contato com as pessoas infectadas ou que estiveram próximas desses doentes precisam ser testadas e acompanhadas", alerta o virologista.

Além disso, ele diz ser aconselhável fazer vigilância genômica na cidade. "Seria importante que fosse feita uma vigilância genômica nas amostras dos novos casos de São Luís. A intenção é ver se a variação pegou no lugar. O ideal é acompanhar nos próximos 30 dias uma fração dos casos da cidade", observa o especialista.

Os governos federal e estaduais estudam a possibilidade de criar barreiras sanitárias com a Índia e com São Luís. José Eduardo Levi diz que pode ser positivo, mas lembra que algumas medidas eficazes já deveriam ter sido implantadas.

"O controle de aeroportos é fundamental e já poderia estar sendo feito. Tanto em voos domésticos, quanto internacionais, os passageiros deveriam fazer PCR para embarcar. A pessoa faz o exame no lugar de origem, deu negativo, viaja e apresenta quando chegar no destino. Se tiver algum sintoma ou suspeita, faz PCR e toma os devidos cuidados", ressalta o professor da USP.

E finaliza: "Convém intensificar os cuidados dos voos da Índia, mas, minha percepção não importa muito em relação à variante indiana. Quem tem de se preocupar é quem vai receber viajantes do Brasil, que tem uma variante mais contagiosa", completa.

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