Em meio à pandemia, Paraíba realiza 13 transplantes

Em meio à pandemia, Paraíba realiza 13 transplantes
Atividade começou a ser retomada dia 6 de junho Hospital Nossa Senhora das Neves (HNSN) é atualmente a única instituição hospitalar na Paraíba autorizada a realizar transplantes

Divulgação/HNSN

Os meses de junho e julho trouxeram esperança a várias famílias do estado com o retorno progressivo das atividades de transplante. Desde o início da pandemia do novo coronavírus, os procedimentos estavam paralisados, mas, no último dia 6 de junho, as primeiras internações voltaram a acontecer no Hospital Nossa Senhora das Neves (HNSN), que é atualmente a única instituição hospitalar autorizada na Paraíba.

No mês de março, o hospital tomou diversas medidas de segurança, como fluxos de entrada diferenciados para pacientes com sintomas da Covid-19; alas, elevadores, salas e profissionais específicos para cada atendimento; termômetro de temperatura digital com reconhecimento facial; e sanitização constante de seu espaço físico. Essas medidas de proteção permitiram ao estado e ao próprio hospital, no último dia 22 de julho, pela primeira vez realizar um transplante simultâneo de quatro órgãos do mesmo doador, um jovem de 34 anos, vítima de acidente de carro. Quatro pessoas com idades entre 48 e 63 anos receberam coração, fígado e rins no HNSN e passam bem após operação.

Quem também estava na fila de espera por um rim era um senhor de 62 anos, de Guarabira, no brejo paraibano. Nos corredores do hospital, com um semblante aliviado, Dávilla Kalina, sua filha, conta que sofreu com a espera durante a pandemia da Covid-19. "Após meses aguardando e o caso do meu pai se agravando, não acreditei quando recebi a ligação do HNSN confirmando o procedimento. Foi aquele alvoroço, aquela emoção de sentir que uma coisa tão séria estava sendo feita. Eu fico emocionada até de falar, o meu pai foi atendido! A cidade de Guarabira está toda agradecida. Receber o transplante aqui em casa, no nosso estado e não precisar ir para Recife foi algo incrível", disse a filha.

"Meu pai nunca perdeu a fé. Ele nunca tratou como despedida, ele tinha esperança que tudo ia se resolver com o transplante", contou Dávilla Kalina, que acompanhou o processo de transplante do pai.

Thiago Lemos

Na última semana de julho, dia 27, aconteceu o primeiro transplante de medula óssea (TMO) desde o início da pandemia. "Retomamos os trabalhos de TMO com um paciente, de 70 anos, com mieloma múltiplo, um tipo de câncer que atinge a medula óssea. A infusão ocorreu de forma satisfatória e eficiente", afirmou o médico responsável pelo procedimento, o hematologista Dr. Roberto Matias.

"Dentre todo o contexto que vivemos é uma vitória voltarmos a atividade no estado. O TMO que realizamos é do tipo autólogo, aquele que acontece com as próprias células do paciente. A gente fica feliz pelo procedimento sem intercorrências e estamos esperançosos que o paciente evolua bem", contou o enfermeiro, especialista em oncohematologia, José Arimatéia.

Em pouco menos de dois meses, o HNSN realizou 13 transplantes: 2 de medula óssea, 1 de coração, 3 de fígado e 7 dos rins. Um fato que o coordenador da UGT (Unidade Geral de Transplantes), Sérgio Ferreira, reforça é que um dos transplantes de rins foi com doador vivo, fato pioneiro no Nordeste durante a pandemia. Em quatro anos de atendimento, o hospital já realizou mais de 100 procedimentos.