Apenas um terço dos profissionais de saúde foi testado para covid-19

A amostragem é composta por 40% de agentes comunit√°rios e agentes de controle de endemia, 20,8% de profissionais de enfermagem, 14,7% de médicos e 23,8% de outros profissionais do segmento.

A primeira fase do estudo, realizada em abril, foi costurada a partir da percep√ß√£o de 1.456 trabalhadores. Além de ampliar o número de entrevistados, os pesquisadores buscaram investigar aspectos relativos a saúde mental, assédio moral e testagem dos profissionais.

Capacitação e medo

Pelas respostas enviadas através de formul√°rio, constata-se que os trabalhadores que tiveram treinamento para aperfei√ßoar o atendimento durante a crise sanit√°ria s√£o minoria, a exemplo do que ocorreu em rela√ß√£o à testagem. A propor√ß√£o dos profissionais que tiveram acesso a uma capacita√ß√£o específica sobre atendimento durante a pandemia subiu de 21,91% para 32,2%, entre abril e junho. No cômputo, foram considerados médicos e técnicos de enfermagem.

Tais números podem ser relacionados a outro índice: o que mensura o nível de temor quanto à covid-19. Ao todo, 89% de agentes comunit√°rios de saúde e agentes de combate à endemia reconheceram sentir medo da doen√ßa, mesmo sentimento compartilhado por 83% dos profissionais da enfermagem, 79% dos médicos e 86% de demais profissionais da √°rea de saúde.

A preocupa√ß√£o é justificada n√£o só pelo contexto geral, mas porque sentem que a infec√ß√£o se avizinha, j√° que 80% dos entrevistados declararam ter ao menos um colega contaminado pelo novo coronavírus nessa segunda fase da pesquisa. Anteriormente, esta parcela era de 55%.

No que concerne à atua√ß√£o do governo federal, a avalia√ß√£o piorou. Em abril, 67% diziam n√£o sentir que tal esfera do poder público os apoia, parcela que aumentou para 78% em junho. A insatisfa√ß√£o é superior à observada quanto à falta de suporte do governo municipal, que foi de 58%.

Saúde mental

Outros aspectos abordados foram o assédio moral e o comprometimento da saúde mental, que atingem, respectivamente, 30% e 78,2% dos profissionais consultados pela FGV. Mesmo diante dos problemas, somente um quinto (20%) afirmou ter recebido algum tipo de apoio do estado para enfrent√°-los.

A confluência de fatores destacados pelos profissionais, que, majoritariamente (95%) teve sua rotina alterada, ajuda a explicar por que 70% deles n√£o se sentem preparados para lidar com a pandemia. Na primeira fase da pesquisa, o índice era 64,97%.

Conforme explica a coordenadora da pesquisa, Gabriela Lotta, a omiss√£o das autoridades governamentais "cria uma situa√ß√£o muito tensa de trabalho, na qual prevalecem o medo e o sentimento de despreparo". Como consequência disso, acrescenta a especialista, surge um aumento dos casos de transtorno mental, adoecimento, afastamento do trabalho e até morte.

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