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ACESSIBILIDADE

Piso tátil e guia no ponto: conheça recursos de acessibilidade do cantor Guilherme Dantas, que é cego, para show no São João de Campina Grande

Guilherme Dantas é pioneiro dos artistas com deficiência visual a se apresentar no evento e falou ao g1 sobre sua trajetória na música e limitações devido a cegueira

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Guilherme Dantas é pioneiro dos artistas com deficiência visual a se apresentar no evento e falou ao g1 sobre sua trajetória na música e limitações devido a cegueira.

Guilherme Dantas, cantor cearense de 32 anos, se apresentou no São João 2024 de Campina Grande em um show que aconteceu no início da noite deste sábado (8). Ele é um dos primeiros artistas com deficiência visual a se apresentar na história do evento, e sua participação no São João de Campina Grande é também um importante passo para a inclusão e representatividade de artistas com deficiência no cenário musical.

Com um sorriso no rosto, o tecladista autodidata contou que trocou o teclado pela sanfona e preferiu recusar uma oportunidade de estudar nos Estados Unidos para se dedicar ao forró, gênero musical que tanto ama. Ele narrou sua trajetória e, com bom humor, transformou sua deficiência visual em bordão: "Eu não tô nem vendo!".

"Mostrar pro mundo que nada é impossível quando você mesmo acredita em você. Eu tenho esse lema comigo e quero passar isso pras pessoas aonde eu for. Não pela deficiência, mas porque todo mundo tem uma dificuldade. Eu tive [apoio] da família, de muitos amigos, eu tinha tudo pra estar em casa e tô aqui. Superando meus limites a cada dia", destacou Guilherme Dantas em entrevista

Acessibilidade no palco


Piso tátil é instalado no palco do Parque do Povo para show de Guilherme Dantas

Para se apresentar, Guilherme precisa que o ambiente esteja acessível para que ele possa se guiar durante as apresentações que faz. Por isso, a equipe do cantor prepara, além dos ajustes da banda, um esquema de acessibilidade no palco para que Guilherme possa se orientar durante seus shows.

O palco principal do Parque do Povo foi preparado com piso tátil na área central para a circulação do cantor, e a produção do evento ainda fica guiando Guilherme Dantas por um ponto instalado no ouvido do artista para o cantor ter esse auxílio durante as apresentações.

Guilherme Dantas reconhece que as barreiras existem e que um de seus maiores desafios é subir no palco. Para ele, esse momento é crucial, pois não há espaço para erros e é necessário emocionar o público, e ainda reforça que cada palco e cada show são diferentes, o que torna essa tarefa ainda mais desafiadora.

"Barreiras existem sim e eu acho que um dos meus maiores desafios é subir no palco, porque é uma hora que você não pode errar, é uma hora que você tem que gerar aquela emoção nas pessoas. Então realmente é um desafio subir no palco, sabendo que todo palco é diferente, todo show que a gente for hoje é de um jeito, amanhã é de outro jeito, é um super desafio", destacou.

Guilherme Dantas destacou, ainda, a importância da inclusão no ambiente musical, ressaltando que, embora a música seja um campo cada vez mais inclusivo, ainda falta uma maior valorização das pessoas com deficiência por parte de contratantes e profissionais do meio artístico.


"O ambiente musical como um todo é inclusivo porque hoje a música é muito inclusiva. Eu acho que falta nas pessoas, principalmente contratantes e pessoas do meio artístico, enxergarem melhor pessoas com deficiência. Hoje, com a internet, todo mundo está de igual para igual. As pessoas gostam, curtem, mas muitas vezes essas pessoas sofrem o mesmo que eu sofro, mesmo tendo muitos anos de carreira. Ser desacreditado", relembrou.

Em 2024 é o segundo ano que Guilherme Dantas se apresenta no São João de Campina Grande. No ano anterior, ele fez sua estreia no evento. Guilherme Dantas considera cada performance no São João de Campina Grande como uma conquista única e especial.

"Hoje aqui, talvez, seja o show mais especial do mês, porque é o celeiro do São João, né? É o maior São João do Mundo, mas a gente sem desmerecer nenhum lugar", disse.

Em meio aos desafios que enfrenta, Guilherme mantém uma perspectiva positiva. Ele entende que o caminho para o sucesso não é fácil, mas está disposto a enfrentar todas as adversidades que surgirem.

"[Considero] uma vitória. É como se a gente tivesse vencido uma batalha. A guerra não foi vencida não, mas tenho certeza que uma batalha a gente venceu", reconheceu o cantor cearense.

Guilherme enxerga sua limitação como uma oportunidade de demonstrar sua determinação e capacidade de superação, inspirando outros com sua história e sua música.

"Nunca deixe ninguém dizer que você não consegue. Seja você, acredite no seu sonho e se você, caso tiver alguma deficiência, trabalhe duas ou três vezes mais do que qualquer outra pessoa", destacou o cantor.

Guilherme é autor de sucessos do forró como "Imaginação", "Facim, Facim", "Agora é você quem vai me esperar", "Toca o meu CD", "Portão Preto", "Chora Implora", "Zero Boi", "Amor Errado", "Me Ame ou Me Deixe" e "Mente Mentirosa".

Desde pequeno, Guilherme mostrou talento para a música. Aos 4 anos, já tocava teclado, flauta e violão, se destacando não por sua deficiência, mas por sua forte personalidade artística que já era notável.

Em 2007, recebeu um convite para estudar no conservatório Souza Lima, em São Paulo, e posteriormente foi convidado a estudar nos Estados Unidos. No entanto, Guilherme escolheu seguir sua paixão pelo forró, mesmo tendo um acesso a uma gama de outros segmentos musicais.

"Eu fui pra sanfona, que era uma coisa que eu sempre quis, eu sempre quis ser forrozeiro, sempre quis tocar forró. E não toquei antes pra fazer o gosto da família. Para poder aprender eu acho que tudo tem a hora certa", disse.

Dois anos depois, iniciou seus estudos de piano, teoria musical e música em Braille. Aos 18 anos, comprou sua primeira sanfona – uma Scandalli preta de 80 baixos – e aprendeu a tocá-la sozinho. Em apenas dois meses, estava pronto para os palcos. Com sua dedicação e talento, foi sanfoneiro de França e Bete Nascimento, ex-vocalistas da banda Mastruz com Leite, consolidando ainda mais sua carreira promissora no forró.

"Música para mim é uma terapia, literalmente. Para compor não tem um jeito certo. Muitas vezes eu componho uma melodia e depois eu ponho uma letra. Às vezes, eu só escrevo vários versos, depois eu tento achar uma melodia. E outras vezes também eu faço tudo junto. As pessoas às vezes me falam uma coisa e eu gosto. Ou eu vivo uma história e faço uma música", explicou Guilherme Dantas sobre também suas composições musicais.

Fonte: PORTAL SERTÃO COM G1

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